Alternativas ecológicas: conheça o Grupo de Agroecologia da Universidade Federal de Pelotas

EM MEIO AO CAMPUS CAPÃO DO LEÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS (UFPEL), ENCONTRAMOS UMA DIVERSIDADE ENORME DE PLANTAS. VOCÊ SABIA QUE LÁ TAMBÉM RESIDE UMA AGROFLORESTA?

Com ideais de modelos educativos libertadores e transformadores que visam romper os padrões de ensino estabelecidos, o Grupo de Agroecologia (GAE) da UFPel constrói sua atuação de forma solidária e humanitária, visando a interdisciplinaridade e a horizontalidade em suas práticas. Integrado por professores e alunos de diversas áreas da Universidade, o grupo surgiu em 1993 e a iniciativa partiu de estudantes da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel.

A agroecologia surge como uma alternativa ao atual modelo de desenvolvimento rural. Dessa forma, a prática parte da junção de saberes populares aos conhecimentos científicos, explorando uma perspectiva ecológica que visa otimizar o agroecossistema. Na UFPel, o GAE atua por meio de práticas e debates a respeito do tema, dentro e fora da comunidade acadêmica.

Em contato com pequenos produtores rurais, movimentos sociais, cooperativas ecológicas locais e escolas da rede básica, o grupo atualmente possui uma área didático-experimental com cerca de um hectare. Lá, se encontram o Sistema Agroflorestal (SAF), um viveiro de mudas e uma área de convivência.

A partir de reuniões semanais de planejamento, realizadas de maneira horizontal e compartilhada entre todos os participantes, são organizados Grupos de Trabalho (GTs) que atuam nas demandas necessárias. Atualmente, os GTs em destaque são o Sistema Agroflorestal – responsável por planejar e propor mutirões para manejo da Agrofloresta -, o Viveiro – que possui a função de pensar a otimização das mudas – e o Grupo de Estudos – incumbido de facilitar discussões acerca da agroecologia e as suas funções na sociedade.

Viveiro de mudas. Foto: Gabriela Schander/Arquivo Pessoal

A estudante de Agronomia e participante do GAE, Giovana Santin, comenta sobre o processo de formação constante que a existência do grupo possibilita aos seus membros – seja na vida pessoal ou profissional. “A importância está na visão holística e sistêmica de compreensão da natureza e de todos os seres, na troca de experiências, no convívio diário com pessoas de diferentes áreas do conhecimento pelo caráter interdisciplinar do grupo e no resgate do saber popular e valorização daqueles que vivem na terra”, explica.

Movimentos recentes

Em setembro de 2014, o GAE deflagrou o movimento “Agrofloresta para quem nela estuda”. A iniciativa teve o seu início marcado pelo propósito de barrar a decisão da Pró-Reitoria de Infraestrutura em construir um novo prédio onde atualmente encontra-se a Agrofloresta. A mobilização foi vitoriosa e, a partir disso, os GTs receberam participação efetiva tanto de docentes quanto discentes dos mais variados cursos da Universidade. Dessa forma, houve uma maior articulação dos Grupos de Trabalho. Foram organizados mais de doze mutirões de manejo na unidade Agroflorestal, além de delimitação de trilhas, abertura de canteiros, plantio de árvores, construções de estruturas de transporte, rodas de conversa, estudos botânicos e estudos sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs). Essas práticas também ocorreram em propriedades de pequenos produtores rurais da região sul.

Em novembro de 2015, o projeto intitulado “Implantação de um viveiro de mudas florestais nativas do Rio Grande do Sul como espaço interdisciplinar de aprendizagem” teve por objetivo consolidar o viveiro de mudas como espaço de atuação. A construção ocorreu junto ao Colégio Estadual Cassiano do Nascimento e com a Escola Estadual de Ensino Médio Dr. Edmar Fetter, e, atualmente, já conta com uma casa de vegetação e um galpão para abrigo dos materiais.

Próximos passos

Atualmente, o GAE está organizado para a escrita de um projeto com a finalidade de tornar-se um Núcleo de Agroecologia (NEA) na Região Sul por meio do edital do CNPQ, em parceria com o Tecsol (Feira Virtual Bem da Terra), Embrapa e agricultores, para que possam cada vez mais desenvolver a extensão, ensino e pesquisa na área de agroecologia. Ainda neste edital, pretendem participar do CVT (Centro Vocacional Técnico) em prol da Efasul (Escola Família Agrícola da Região Sul) com parceiros de São Lourenço e região, a fim de que a rede fique mais dinâmica e representativa.

Além disso, estão organizando o II Encontro Regional dos Grupos de Agroecologia da Região Sul, que acontecerá de 2 a 5 de novembro na Colônia Santo Amor, em Morro Redondo/RS.

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Texto e fotos: Gabriela Schander

 

Este texto foi retirado do EM PAUTA

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